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Património Cultural

News 07/21/2021

Espólios doados de Armando Jorge, Rui Mendes, Carlos Selvagem e Vera Castro reforçam coleção do Museu Nacional do Teatro e da Dança

Importantes espólios doados nos últimos meses ao Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD), em Lisboa, valorizam e reforçam o seu acervo.

Destes destacam-se as doações de Armando Jorge, Rui Mendes, Carlos Selvagem e Vera Castro.

Espólio do bailarino, coreógrafo e figurinista Armando Jorge (n. 1938) 

Reconhecido como uma das maiores figuras da Dança na segunda metade do século XX,  Armando Jorge iniciou a sua carreira em Portugal como bailarino, tendo passado pelo Círculo de Iniciação Coreográfica de Margarida de Abreu e pelos Bailados Verde Gaio. Porém, foi no Canadá, integrado nos Grands Ballets Canadiens, que se viria a afirmar como bailarino clássico, aí convivendo com grandes nomes do bailado internacional.  Foi professor e codiretor do Ballet Jazz de Montreal e fez um estágio de direção artística no Ballet do 20e siècle de Maurice Béjart.  Em Portugal integrou o Ballet Gulbenkian, onde se iniciou como coreógrafo. Foi diretor da Companhia Nacional de Bailado entre 1978 e 1993.  Formado em Pintura pela ESBAL, assinou também trabalhos enquanto cenógrafo e figurinista.  O seu espólio não só tem a maior importância para a história da dança em Portugal, como também para o conhecimento da evolução da dança a nível internacional, uma vez que Armando Jorge, além da carreira internacional referida, foi também um exímio colecionador de objetos e de documentação associados à dança europeia.

Espólio e biblioteca do ator e encenador Rui Mendes (n. 1937)

Estudante de arquitetura, Rui Mendes tornou-se ator profissional em dezembro de 1956 no Teatro da Trindade. Integrou, entre outras companhias, o Teatro Popular de Lisboa, Teatro Moderno de Lisboa, Teatro Nacional Popular, Grupo 4/ Teatro Aberto - de que foi um dos fundadores - Teatro Adóque - de que também foi fundador - Teatro da CornucópiaTeatro Nacional D. Maria II e Teatro da Malaposta.

Entre muitas interpretações no Teatro, salienta-se A Tia de Charley (1961), Knack (1967), À espera de Godot (1968), Amanhã digo-te por Música (1969), Saídas da Casca (1971), Insulto ao Público (1972), O Círculo de Giz Caucasiano (1976), O Judeu (1981), Super Silva (1983), A Mulher do Campo (1986), A Escola das Mulheres (1993), O Magnífico Reitor (2001) e A Vida de Galileu de Bertolt Brecht, que protagonizou em 2006. A partir de 1975 dedicou-se também à encenação, tendo assinado, entre outros trabalhos, Três Irmãs, de Tchekov (1988 - Teatro da Cornucópia), Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare  (1991 - Teatro da Malaposta), Descendentes de Kennedy, de Robert Patrick (1992 - Teatro da Malaposta), A Louca de Chaillot, de Jean Giraudoux (1995 - Teatro Nacional D. Maria II), Tio Vânia, de Tchekov (1998 - Teatro da Malaposta), Picasso e Einstein, de Steve Martin (2005 - Teatro da Trindade) e Vermelho Transparente, baseado na obra de Jorge Guimarães (2006 - Teatro Nacional D. Maria II).

No cinema participou em cerca de vinte películas, nomeadamente Raça, de Augusto Fraga  (1961); O Fim do Mundo, de João Mário Grilo (1992); Paraíso Perdido, de Alberto Seixas Santos  (1995) e O Milagre Segundo Salomé, de Mário Barroso  (2004).

Ao longo de mais de 40 anos tem sido presença assídua na televisão (séries, telefilmes, novelas). A par da atividade como ator, Rui Mendes trabalhou como cenógrafo e foi, durante duas décadas, professor da Escola Superior de Teatro e Cinema (1980 - 2000). Além de documentar uma notável carreira, o espólio de Rui Mendes agora entregue à guarda deste Museu contempla também a sua uma vasta e rica biblioteca teatral e um núcleo documental do ator Henrique de Albuquerque, seu avô.

Coleção de manuscritos originais do dramaturgo Carlos Selvagem (doação da família)  

Carlos Selvagem (1890-1973)   é um dos mais vigorosos dramaturgos portugueses do período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial. Tendo iniciado a sua carreira teatral com um drama rural de intensa ação dramática, Entre Giestas  (1917), enveredou depois pela alta comédia, aliando à aprofundada observação dos carateres uma cuidadosa análise do enquadramento social, de que são expressivos exemplos o Ninho de Águias  (1920), O Herdeiro  (1923), Miragem  (1925), Telmo, o Aventureiro, drama de ambiente colonial (1937) e A Encruzilhada  (1941). Em 1943 estreou no Teatro Nacional a que deve considerar-se a sua melhor obra e um dos grandes textos da dramaturgia portuguesa contemporânea: a “farsa heroica” Dulcineia ou a Última Aventura de D. Quixote, definida por Luís Forjaz Trigueiros como “uma grande tentativa de teatro sério e autêntico, no chocho carnaval em que vive há tantos anos o teatro português.” A derradeira fase da sua obra compreende algumas peças de alto nível: Espada de Fogo  (1949), O Anjo Rebelde  (1962), A Bela Impéria  (1966), Noite de S. Silvestre (inédita). Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores entre 1968 e 1973. Trata-se de uma coleção da maior importância para a preservação e para o conhecimento da dramaturgia e do teatro português.

Espólio de Vera Castro (doação Rui Morais e Castro)

Vera Castro (1947-2010)  foi pintora, figurinista e cenógrafa. Criou figurinos para obras de Olga Roriz, Paulo Ribeiro, Né Barros, Rui Lopes Graça e Mehmet Balkan, entre muitos outros.  

Como pintora, está representada na coleção do Ministério da Cultura e em coleções particulares.  Realizou exposições, entre outros espaços culturais, na Casa da Cerca, em Almada (2002), e na Galeria do Teatro Municipal de Almada (2007). Obteve em 1993 o Prémio da Crítica de Cenografia, por "Estrelas da Manhã". Ingressou no ensino nos anos 1970, e foi requisitada pela ESTC em 1991, onde lecionou até 2007 técnicas de desenho e pintura, figurinos, cenografia e cenotécnica. Caracterizada por um grande rigor estético em tudo o que criava, sobretudo para dança e teatro, o seu espólio,  agora doado ao MNTD, é constituído por figurinos, trabalhos plásticos para cena e documentação diversa, que ilustram não apenas a sua notável carreira artística como criadora plástica do espetáculo, mas também alguns dos momentos mais marcantes da nossa criação contemporânea no teatro e na dança.

Quadro a óleo A ÚLTIMA CEIA DOS POLICHINELOS, de 2005, com 97 X 146 cm, doação pintor Manuel Amado (1938-2019) 

Sempre ligado ao Teatro, Manuel Amado é um dos pintores mais importantes da História da Arte mais recente no nosso país. Em 2007 realizou uma grande exposição na Galeria D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda intitulada “O espetáculo vai começar…”, dedicada ao Teatro e, sobretudo, a tudo o que o espetador não vê. É dessa exposição esta fantástica pintura, que vem enriquecer o acervo deste Museu.