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Museums and Monuments 07/07/2019

Palácio de Mafra foi inscrito como Património Mundial da UNESCO

O conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra e o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, receberam este domingo a inscrição no Património Cultural Mundial da UNESCO, na reunião do comité da organização, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, anunciou a organização. 

O Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, foi integrado na área classificada pela UNESCO como Património Mundial da Universidade de Coimbra, Alta Universitária e Rua de Sofia.

O Museu Nacional Machado de Castro não foi incluído na área que veio a ser classificada em 2013 por se encontrar em trabalhos de restauro e remodelação na ocasião em que foi apresentada a respetiva candidatura (quando a Alta Universitária e Rua da Sofia foram classificadas Património da Humanidade, os trabalhos no museu já estavam concluídos).

O Santuário do Bom Jesus, em Braga, foi igualmente inscritona lista de Património Cultural Mundial da UNESCO.

Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra

O dossiê com a proposta para a inscrição do Real Edifício de Mafra na lista do Património Mundial da UNESCO foi desenvolvido sob a coordenação da Direção Geral do Património Cultural e da Câmara Municipal de Mafra, com a colaboração do Palácio Nacional de Mafra, Escola das Armas, Tapada Nacional de Mafra e Patriarcado de Lisboa – Paróquia de Santo André de Mafra.

Real Edifício de Mafra: uno, único e excecional O Real Edifício de Mafra é formado pelo Palácio que cerca a Basílica, cujo frontispício axial une os Paços do Rei e da Rainha, um Convento, um Jardim e uma Tapada, sendo uma das mais magnificentes obras de D. João V que dispôs de privilegiadas condições culturais e económicas para ombrear com as restantes monarquias europeias.

Desde a escolha do arquiteto (Johann Friedrich Ludwig, formado em Roma) que o projeto se instituiu como uma afirmação internacional da casa reinante portuguesa. O contínuo fascínio que o monarca sentiu por Roma levou-o a contratar importantes artistas para Mafra, que, assim, se transformou num dos mais relevantes locais do Barroco italiano fora de Itália.

Aquando da sagração da Basílica, no dia 22 de outubro de 1730, dia de aniversário do rei, o conjunto não estava ainda concluído, nem todas as obras de arte haviam chegado, mas há muito que o plano estava delineado: um Palácio Real dotado de dois torreões que, funcionando independentemente, eram as câmaras do casal régio; uma Basílica decorada com estátuas dos melhores artistas romanos e com um conjunto inusitado de paramentaria francesa e italiana sem paralelo no país; duas torres na fachada que albergam dois carrilhões mandados construir na Flandres e que constituem um património sineiro único no mundo; uma Biblioteca constituída por obras de grande interesse científico e das poucas que previa a incorporação de “livros proibidos”, bem como um acervo bibliográfico dos séculos XV ao XIX.

Das décadas seguintes são os retábulos da Basílica, da autoria de Alessandro Giusti, artista de origem italiana que, em Mafra, iniciou uma verdadeira escola de escultura. Merecem, ainda, destaque os seis órgãos da Basílica, caso único no mundo em que se registou a conceção e realização, em simultâneo, de seis órgãos “dialogantes” entre si, já previstos no plano inicial na Basílica. O projeto foi entregue aos organeiros António de Machado Cerveira e Peres Fontanes. Estes foram cuidadosamente restaurados a partir de 1994, num processo premiado pela Europa Nostra.

O Palácio continuou a desempenhar as funções de Paço Real até ao final da monarquia, tendo mesmo sido em Mafra que D. Manuel II, último rei de Portugal, passou a derradeira noite antes de embarcar para o exílio. O Convento foi extinto em 1834 e, desde então, albergou diversas unidades militares que constituem, por si só, outro capítulo da história deste conjunto, pois estão ligadas aos grandes confrontos militares em que Portugal participou e à própria memória do exército português. O Jardim do Cerco começou por ser a cerca conventual à disposição dos frades, mas, logo em 1718, D. João V mandou ali plantar todo o género de árvores silvestres.

O conjunto alberga um grande lago central, para onde confluem águas da Tapada e de um poço anexo associado a uma gigantesca nora. Também ali se conserva um curioso Jogo da Bola, mandado construir pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, quando estes ocuparam o Convento entre 1771 e 1792. A Real Tapada de Mafra (hoje designada Tapada Nacional de Mafra) foi criada em 1747 para servir as necessidades do Convento e para cenário venatório do monarca e da corte. Nos finais do século XIX e inícios da centúria seguinte, a Tapada foi palco privilegiado das caçadas do rei D. Carlos. Hoje, é um espaço vocacionado para a gestão florestal, cinegética, ambiental e turística.

No seu interior, subsistem quatro fortes das Linhas de Torres, um dos quais já restaurado (Forte do Juncal), que ligam este espaço ao conflito europeu conhecido por Guerras Napoleónicas.


Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga

Situado em Braga, na freguesia de Tenões (Santa Eulália), no Noroeste de Portugal, o santuário do Bom Jesus do Monte assenta sobre a encosta do Monte Espinho sobranceiro ao vale do rio Este, afluente do Ave. Orientado a poente, o santuário tem extensas vistas que abarcam toda a cidade de Braga, a Bracara Augusta fundada no tempo dos romanos do qual é historicamente indissociável, e uma parte do vale do Cávado, podendo mesmo avistar-se o mar.

O santuário é um conjunto arquitetónico e paisagístico reconstruído e ampliado ao longo de mais de 600 anos, definido, fundamentalmente, por um longo e complexo percurso de via-sacra que se estende pela encosta acima, conduzindo o peregrino por entre capelas que abrigam conjuntos escultóricos evocativos da paixão de Cristo, fontes, estatuária e jardins formais.

O percurso sagrado organiza-se em duas secções distintas. A primeira, respeitante aos momentos anteriores à morte de Cristo, materializa-se a partir de um pórtico num percurso em zig-zag com capelas e em dois monumentais escadórios - o dos Sentidos e o das Virtudes - rematando na igreja, também chamada de capela maior, que acolhe o momento evocativo do passo do Calvário; a segunda, alusiva à vida gloriosa de Cristo ressuscitado, inicia-se na igreja e culmina no Terreiro dos Evangelistas, com a capela da ascensão de Cristo.

O bem proposto corresponde ao Santuário propriamente dito - conjunto constituído pelo pórtico, caminhos, terreiros, capelas, fontes, monumental escadório encimado pela igreja - e à sua Cerca densamente arborizada, um parque pitoresco de lagos de formas naturalizadas, grutas artificiais, edifícios e estruturas de natureza e funções variadas. Santuário e Cerca são indissociáveis - o monte foi-se moldando para acolher o Santuário, completando-se mutuamente, resultando num conjunto uno, de elevado valor paisagístico e arquitetónico que configura um monte sacro. A área total é de aproximadamente 30 ha e, embora a propriedade pertença à Confraria do Bom Jesus do Monte, é de acesso público.

O conjunto arquitetónico e paisagístico do Santuário do Bom Jesus do Monte é parte integrante de um projeto europeu de criação de montes sacros, impulsionados pelo Concílio de Trento, configurando um sacromonte que testemunha vários tempos da história da cidade e da arquidiocese de Braga, atingindo uma complexidade formal e simbólica única, uma dimensão sem precedentes no contexto dos montes-sacros europeus, um caráter barroco e uma narrativa religiosa de grande aparato, próprios da Contra-Reforma.

É uma obra-prima resultante do génio criador, um monumental escadório onde se manifestam modelos de conceção e as preferências estéticas de cada tempo de construção que se consumam numa peça de grande unidade e harmonia - o monte e o escadório confundem-se - organizada em duas secções: (1) os momentos anteriores à morte de Jesus Cristo, terminando na igreja, cenário da ressurreição de Cristo, e (2) a vida gloriosa de Cristo ressuscitado que culmina no Terreiro dos Evangelistas, afinal os autores de toda a narrativa inscrita ao longo do escadório.

O Santuário do Bom Jesus do Monte é uma expressão única da articulação do material e do intangível da dimensão sagrada da vida humana e uma manifestação completa e complexa do génio construtivo humano. 


Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra

Para o Presidente da Direção da Associação RUAS - Recriar a Univer(s)cidade e Vice-Reitor da Universidade de Coimbra para o Património, Edificado e Infraestruturas, Alfredo Dias, trata-se de "um momento da maior importância para o património classificado mas também para a Universidade e o Museu Machado de Castro". "É um momento de grande relevância, grande significado e grande contentamento" realça o responsável enquanto deixa um agradecimento a todas as entidades envolvidas no processo, nomeadamente, a Universidade de Coimbra, o Museu Nacional Machado de Castro, a Direção Geral do Património Cultural, a Câmara Municipal de Coimbra, a Comissão Nacional da UNESCO e a Comissão UNESCO permanente em Paris.

Para a Vice-Presidente da Associação RUAS e Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Carina Gomes, “é um grande acontecimento para a cidade de Coimbra, de que todos devemos orgulhar-nos já que, na verdade, torna ainda mais justa e merecida esta distinção mundial, responsabilizando-nos cada vez mais pela preservação da nossa herança histórica e cultural”. Acrescenta que “a feliz coincidência de a notícia nos chegar durante as Festas da Cidade de Coimbra contribuirá, certamente, para reforçar o ambiente de comemoração que também queremos imprimir a esta classificação”.

Também o Subdiretor Geral do Património Cultural, David Santos, constata a importância do reconhecimento: "A expansão da área classificada pela UNESCO, como Património Mundial, Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, para inclusão do MNMC é, antes de mais, uma atitude de permanente requalificação do Bem, no sentido de equilibrar e reforçar a sua identidade". "Este reconhecimento contribuirá, certamente, para um fortalecimento da sua integridade e para uma responsabilidade partilhada, no sentido da proteção, conservação e salvaguarda de um Património de excecional relevância", refere ainda o responsável.

"Enquanto espaço fundacional da cidade, contentor de uma riquíssima materialidade que preserva uma memória histórico-artística comum, o MNMC sente este processo de inclusão na área classificada - Universidade de Coimbra- Alta e Sofia - como um imperativo da cidadania mundial", sublinha a Diretora do MNMC, Ana Alcoforado. "Este é um momento de celebrar e de reafirmar a determinação de estar cada vez mais próximo da comunidade que, ao longo de séculos, construiu a nossa identidade, e de abraçar e arquitetar novos desafios ", destaca Ana Alcoforado.

A aprovação pelo Comité do Património Mundial da inclusão do Museu Nacional de Machado de Castro na área classificada como Património Mundial permite o reforço do Valor Excecional do Bem e vem consolidar a realização e redefinição de programas de âmbito cultural e de fruição patrimonial para a Alta.

A Universidade de Coimbra – Alta e Sofia foi inscrita na Lista do Património Mundial em 2013.

Vídeo Alfredo Dias - https://youtu.be/e4e51Ns6f5I  

 

Sobre o Museu Nacional Machado de Castro

O Museu Nacional de Machado de Castro, monumento nacional desde 1910, situa-se no antigo Paço Episcopal de Coimbra, que por sua vez se vem instalar no local do forum da cidade em época romana, do qual resta o impressionante criptopórtico. Neste museu nacional encontram-se depositadas mais de uma centena de obras consideradas Tesouro Nacional, sendo que parte significativa e qualificada da coleção provém de antigos colégios universitários, igrejas ou mosteiros que se encontram já na área classificada (Sé Velha, Sé Nova, Mosteiro de Santa Cruz, por outros).

Durante o processo de elaboração da candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial, o edifício do Museu esteve encerrado devido a uma intervenção de requalificação, que decorreu entre e 2004 e 2012. Esta intervenção, da responsabilidade do arquiteto Gonçalo Byrne, veio a receber o Prémio Piranesi/Prix de Rome, em 2014.

Desde a reabertura do Museu Nacional de Machado de Castro que um conjunto mais vasto de coleções, particularmente as relativas à História e presença da Universidade de Coimbra, se encontram na Exposição permanente. Desde 2012 tem sido reforçada a colaboração interinstitucional baseada na complementaridade, articulação e partilha de recursos e bens disponíveis, participação em redes temáticas internacionais e definição conjunta de programas culturais, formativos e educativos. Esta colaboração alicerça-se na natureza das coleções que o Museu detém à sua guarda, parte delas proveniente da Universidade de Coimbra; nos espólios das duas Instituições que são por elas partilhadas; no valor aportado pela valorização conjunta de toda esta herança e património. De referir, por exemplo, que é o museu o local onde se conservam inúmeros objetos e testemunhos arquitetónicos de muitos espaços universitários que desapareceram com a construção da Cidade Universitária no século XX; que foi o Paço Episcopal, hoje Museu Nacional Machado de Castro, o local de residência de muitos Bispos que acumularam o cargo de Reitor da Universidade; que a génese da cidade romana encontra o seu mais qualificado testemunho no Museu, com a possibilidade de visita e fruição do criptopórtico de época romana. São inúmeros e muito qualificados os testemunhos que concretizam esta relação de vizinhança e colaboração de muitos séculos, o que permitirá um elevado acréscimo nas atividades e projetos em curso, bem como nas estratégias de comunicação de cultura e fruição destes espaços patrimoniais de elevado valor.