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Lacas chinesas de exportação: Estudo da laca produzida na região de Cantão

As lacas de exportação chinesas, sobretudo as produzidas em Cantão nos séculos dezoito e dezanove, estão frequentemente associadas a deficientes estados de conservação.
Quer pela supressão de etapas na manufactura do revestimento lacado, quer pela adulteração das mesmas, aquele apresenta, no caso das peças produzidas com o objectivo de satisfazer as encomendas ocidentais, uma fragilidade que reduz a sua longevidade.

Este estudo, que decorreu entre 2009 e 2012, teve total apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, (FCT), que abriu uma Bolsa de Técnico de Investigação (Ref. SFRH/BTI/33619/2009), ficando seleccionada de entre vários candidatos, Maria João Nunes Petisca, para integrar o projecto durante 3 anos. A coordenação dos trabalhos ficou a cargo de Margarida Cavaco.

Na sua maioria, as obras em estudo são peças de mobiliário, sendo a sua estrutura executada em madeira que era posteriormente lacada a negro e decorada a ouro. O revestimento lacado é composto pelas camadas preparatórias e pelas camadas finais de laca, ou urushi, a sua designação em japonês usada para a distinguir de outros tipos de materiais também designados como laca.

A madeira, material comummente usado como suporte destas peças, constitui um material orgânico que apresenta alterações de dimensão que acompanham as alterações de temperatura e humidade do ambiente onde se insere. Estes movimentos não são acompanhados pelas camadas de laca. Uma das funções das camadas preparatórias, para além de uniformizar o suporte e corrigir qualquer defeito que este apresente, é a de compensar os movimentos daquele em relação às camadas lacadas.

As camadas preparatórias apresentam frequentemente uma tonalidade clara associada à ausência de urushi na sua composição. Esta ausência visava sobretudo uma economia nos custos de produção sendo o urushi, substituído por colas animais ou sangue de porco. Esta composição é responsável por camadas preparatórias com pouca capacidade adesiva o que se traduz na pouca aderência das mesmas ao suporte de madeira e entre si. Este destacamento do revestimento lacado é um dos problemas mais comuns detectáveis nas lacas chinesas produzidas para exportação.

Este projecto compreendeu colecções públicas e privadas de onde se destaca o Biombo do Museu Nacional de Arte Antiga.

O tratamento e análise desta peça em particular, enquadrou-se no projecto de estudo de lacas chinesas produzidas para exportação, que contemplou outras peças análogas, pertencentes à Direcção Geral do Património Cultural. A sua manufactura acelerada com vista a satisfazer a actividade comercial, traduz-se no presente, em problemas de conservação específicos, como o elevado destacamento do revestimento lacado e a fragilidade da decoração a ouro.