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Património Industrial > Indústria

Séc. XX - A Napolitana

Designação

A Napolitana

Localização

Rua Maria Luísa Holstein, Rua da Cozinha Económica, Travessa Teixeira Júnior

Freguesia / Concelho / Distrito

Alcântara / Lisboa / Lisboa

Função

Indústria Moageira Alimentar: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto de 1908

  • Vista geral, Foto de Arquivo - Henrique Ruas

  • Interior do edifício de fabrico de massas - Foto de Arquivo

  • Edifício dos silos, Deolinda Folgado

  • Edifício do fabrico de massas, Deolinda Folgado

Caracterização

Autores: Vieillard & Touzet

A Napolitana insere-se na grande fase de afirmação da indústria moageira alimentar em Portugal. Em 1908, a firma Gomes, Brito Conceição Reis & Cª solicita ao município a construção da sua fábrica no tecido industrial de Santo Amaro (Lisboa). Pouco se conhece desta empresa e no ano de 1926 a fábrica de massas A Napolitana era adquirida pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias, mantendo-se em actividade até 1970, ano em que a CIPC vende a fábrica.

O projecto da fábrica de massas foi publicado numa revista de referência para o estudo da arquitectura coeva, relevo incomum num período que dedicava especial atenção ao programa habitacional. Durante quatro números A Construção Moderna divulgou, nas primeiras páginas, o projecto dos edifícios da Napolitana, da autoria dos construtores e projectistas Vieillard & Touzet.

A gramática arquitectónica utilizada é, inquestionavelmente, indissociável da imagética construtiva criada pela parceria francesa Vieillard & Touzet. Os vários edifícios construídos - fabrico das massas, moagem, silos, casa das máquinas, mesmo as ampliações ocorridas, logo a partir de 1912 -13, mantiveram uma unidade construtiva e uma homogeneidade estética conferida pela valorização atribuída a elementos estruturais, como os pilares, aos vãos de iluminação e à articulação do tijolo silíco-calcário branco e cinzento. O valor plástico da conjugação dos tijolos branco e cinza é explorado na modulação das fachadas, no remate dos edifícios ou dos frontões ou como molduras de vãos de janelas.

É, também, na utilização repetida e cadenciada dos restantes elementos estruturais ou funcionais, criando superfícies mais relevadas que permitem um jogo de sombreados, que este conjunto adquire uma identidade irrefutável no panorama da arquitectura industrial portuguesa de inícios de Novecentos.

A utilização de um friso azulejar com motivos geométricos, da autoria do ceramista José António Jorge Pinto, ou a introdução de lettering anunciando a actividade fabril e a sua designação, acentuam a textura industrial do conjunto.

Cada um dos edifícios tem uma volumetria e uma área distinta, exigências estritamente dependentes da função e do equipamento industrial a instalar. A moagem tem quatro pisos, cada um composto por duas fileiras de colunas em ferro fundido, permitindo a criação de vãos amplos. Os silos, com cinco pisos, assumem uma verticalidade acentuada pela sua forma paralelepipédica, indissociável do processo de ensilagem, e pela imposição compósita dos pilares. O edifício das massas desenvolve-se em três pisos, organizando-se no interior a secção de fabrico das massas, com suas prensas, num amplo espaço rodeado por mezaninos suportadas por colunas em ferro. A casa das máquinas é do conjunto a que assume uma menor imponência estética, devido ao seu único piso e à solução assimétrica encontrada na ampliação do espaço da nave central.

Este conjunto industrial, de início do século vinte, de reconhecida importância para o estudo da arquitectura industrial portuguesa, destaca-se pela utilização do tijolo sílico-calcário e sua sábia articulação com a exploração de um léxico depurado, vincadamente funcional, adaptado exclusivamente ao cumprimento de um programa para fabrico de massas. A manutenção deste complexo no território industrial de Santo Amaro simboliza a permanência de uma das últimas instalações industriais desta área de Lisboa, dedicada à mecanização da alimentação.

Deolinda Folgado / Departamento de Estudos

Janeiro 2004

Classificação

I.I.P., Decreto Nº 31/83 de 9-5