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Património Cultural
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<p>No âmbito das comemorações dos 100 anos da implantação da República em Portugal, o Museu Nacional do Teatro realizou uma exposição temporária e a edição do respectivo catálogo com o título “A República foi ao Teatro”.<br /><br /></p>
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<p>A República foi mesmo ao Teatro?</p>
<p>Em 1910 o Teatro era, ainda, o grande meio de entretenimento cultural ou, numa perspectiva contemporânea, a indústria (se bem que incipiente) da cultura e do espectáculo por excelência. A vida teatral coincidia também, sobretudo em Lisboa, com a vida social e politica em toda a sua amplitude: a ida ao teatro e os teatros propriamente ditos, para além de corresponderem, como mais nenhuma outra actividade artística, à divisão social dominante (o público do Teatro de São Carlos não era, do ponto de vista da condição social e de classe, o mesmo do Teatro Apolo), eram o espaço público onde a intriga politica e a intriga amorosa, por exemplo, se cruzavam como em nenhum outro. Eça ou Bordalo, por exemplo, descrevem e ilustram, de forma genial, o que acabo de dizer. Ora, sob este ponto de vista, a luta (ou as querelas, ou as intrigas…) entre monárquicos e republicanos e, sobretudo, a decadência politica dos últimos anos da monarquia, foram temas recorrentes nos palcos do teatro de revista de então e nos foyers, nas plateias e nos camarotes dos principais teatros da capital. Mas, muito provavelmente, não muito mais do que isso.</p>
<p>Mas a República foi verdadeiramente ao Teatro: pelo menos, os nomes de alguns dos muitos teatros então em actividade por todo o país, inspirados em personalidades da monarquia, foram imediatamente substituídos por outros, de cariz mais republicano ou, mesmo, sem qualquer referência politica (Teatro Maria Pia no Funchal, depois Teatro Funchalense , logo a seguir Teatro Manuel de Arriaga e, hoje, Teatro Baltasar Dias; Teatro Nacional D. Maria II, depois de 1910, Teatro Nacional Almeida Garrett; Teatro do Príncipe Real, no Porto, para Sá da Bandeira; Teatro circo do Principe Real, em Coimbra, para Teatro Avenida; Teatro Infante D. Manuel, em Montemor-o-Velho, depois designado por Teatro Esther de Carvalho; Teatro do Príncipe Real, em Lisboa, de 5 a 15 de Outubro Teatro da Rua da Palma, depois Apolo; Teatro D. Amélia em Lisboa, para Teatro República e, depois, Teatro S. Luiz - em homenagem ao Visconde São Luiz de Braga, benemérito e empresário teatral; Real Teatro de S. João e Teatro do Príncipe, no Porto, depois Teatro de S. João, ou Real Teatro de S. Carlos para Teatro de S. Carlos e, posteriormente, Teatro Nacional de S. Carlos, entre outros). Esta mudança, que não se ficou pelos Teatros, mas que se estendeu, como é óbvio, a tudo o que era público (ruas, edifícios, administração pública, ministérios, etc.), terá sido acompanhada e terá tido alguns reflexos na produção dramatúrgica e nos repertórios levados à cena? E na vida teatral portuguesa?</p>
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No âmbito das comemorações dos 100 anos da implantação da República em Portugal, o Museu Nacional do Teatro realizou uma exposição temporária e a edição do respectivo catálogo com o título “A República foi ao Teatro”.

A República foi mesmo ao Teatro?

Em 1910 o Teatro era, ainda, o grande meio de entretenimento cultural ou, numa perspectiva contemporânea, a indústria (se bem que incipiente) da cultura e do espectáculo por excelência. A vida teatral coincidia também, sobretudo em Lisboa, com a vida social e politica em toda a sua amplitude: a ida ao teatro e os teatros propriamente ditos, para além de corresponderem, como mais nenhuma outra actividade artística, à divisão social dominante (o público do Teatro de São Carlos não era, do ponto de vista da condição social e de classe, o mesmo do Teatro Apolo), eram o espaço público onde a intriga politica e a intriga amorosa, por exemplo, se cruzavam como em nenhum outro. Eça ou Bordalo, por exemplo, descrevem e ilustram, de forma genial, o que acabo de dizer. Ora, sob este ponto de vista, a luta (ou as querelas, ou as intrigas…) entre monárquicos e republicanos e, sobretudo, a decadência politica dos últimos anos da monarquia, foram temas recorrentes nos palcos do teatro de revista de então e nos foyers, nas plateias e nos camarotes dos principais teatros da capital. Mas, muito provavelmente, não muito mais do que isso.

Mas a República foi verdadeiramente ao Teatro: pelo menos, os nomes de alguns dos muitos teatros então em actividade por todo o país, inspirados em personalidades da monarquia, foram imediatamente substituídos por outros, de cariz mais republicano ou, mesmo, sem qualquer referência politica (Teatro Maria Pia no Funchal, depois Teatro Funchalense , logo a seguir Teatro Manuel de Arriaga e, hoje, Teatro Baltasar Dias; Teatro Nacional D. Maria II, depois de 1910, Teatro Nacional Almeida Garrett; Teatro do Príncipe Real, no Porto, para Sá da Bandeira; Teatro circo do Principe Real, em Coimbra, para Teatro Avenida; Teatro Infante D. Manuel, em Montemor-o-Velho, depois designado por Teatro Esther de Carvalho; Teatro do Príncipe Real, em Lisboa, de 5 a 15 de Outubro Teatro da Rua da Palma, depois Apolo; Teatro D. Amélia em Lisboa, para Teatro República e, depois, Teatro S. Luiz - em homenagem ao Visconde São Luiz de Braga, benemérito e empresário teatral; Real Teatro de S. João e Teatro do Príncipe, no Porto, depois Teatro de S. João, ou Real Teatro de S. Carlos para Teatro de S. Carlos e, posteriormente, Teatro Nacional de S. Carlos, entre outros). Esta mudança, que não se ficou pelos Teatros, mas que se estendeu, como é óbvio, a tudo o que era público (ruas, edifícios, administração pública, ministérios, etc.), terá sido acompanhada e terá tido alguns reflexos na produção dramatúrgica e nos repertórios levados à cena? E na vida teatral portuguesa?

Reference: IPPBLIV12517001

Size: 280(L) x 220(A) mm / 96 pp

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