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Património Cultural

Exposições De 14 de outubro de 2021 a 2 de janeiro de 2022

IMAGO 2021 Joakim Eskildsen

O MNAC é, mais uma vez, parceiro do festival Imago Lisboa, cujas propostas expositivas serão distribuídas por vários espaços da cidade, corporizando novas visões na Fotografia Contemporânea.

Joakim Eskildsen
"Cornwall", "Home Works" and "Cuban Studies"

Esta será a primeira vez que expõe em Portugal. Joakim Eskildsen (Copenhaga, 1971) é um fotógrafo dinamarquês, que reside em Berlim. As suas séries estão publicadas em livros premiados, dos quais destacamos: "Nordic Signs" (1995), "Bluetide" (1997), "iChickenMoon" (1999), "The Roma Journeys" (Steidl, 2007), "American Realities" (Steidl, 2016) e "Cornwall" (2018). Expôs no Fotomuseum Winterthur, no National Museum of Photography, em Copenhaga e no Amos Anderson Museum, em Helsínquia. Joakim Eskildsen é representado por People Projects Berlin, Polka Paris, Purdy Hicks London e Robert Morat Berlin.

"Cornwall"

A última região em que Joakim Eskildsen trabalhou foi a Cornualha, na costa sul da Inglaterra. Ele descreve o seu encanto nas suas próprias palavras: “… dado que a minha iluminação favorita se encontra no meio de uma espessa neblina, o clima na península inglesa não poderia ter sido melhor. Chuva, neblina e tempestades eram a norma, e o céu azul era a excepção. A Cornualha é, em muitos aspectos, um lugar cheio de contrastes. Apesar de ser pequeno em tamanho, é possível encontrar pântanos cobertos de vegetação e penhascos íngremes nas montanhas. O litoral está repleto de pitorescas vilas de pescadores com restaurantes, lojas e muito turismo, enquanto as cidades mais interiores são frequentemente degradadas, sem muitas oportunidades para as pessoas que lá vivem.” A Cornualha está possivelmente menos focada em retratos do que os anteriores trabalhos de Eskildsen; e embora haja de facto uma presença humana, as cidades e vilas são frequentemente retratadas sem pessoas. Mas há uma ausência muito mais implícita em toda a Cornualha. Onde estão as indústrias que um dia prosperaram nesta região? Onde estão as comunidades que antes prosperavam? As referências aos efeitos da urbanização na Cornualha estão subestimadas, contudo estão lá, caso alguém as procure; escondidas entre a névoa dickensiana que Eskildsen tanto favorece. As suas camadas subtis de tema de trabalho e abordagem empática criam um retrato humanístico de um fenómeno que se tornou muito reconhecido. Ao combinar o seu uso do método renascentista da luz natural, Eskildsen apresenta a paisagem da Cornualha numa constante mudança e de uma forma assustadoramente bela.

"Home Works"

Home works é um projecto em desenvolvimento que começou em 2005, quando Joakim Eskildsen se tornou pai e se focou no ambiente ao seu redor. Ao longo dos vários anos, ele e a sua família viveram em sete casas diferentes, localizadas em três distintos países e, na actualidade, vivem com os seus dois filhos no sul de Berlim. “Todo o processo de ter filhos é muito interessante”, diz Eskildsen. “Foi muito inspirador seguir, e descobrir com eles o mundo e as paisagens. A conexão inabalável das crianças com a natureza traz-me muita esperança. A minha sensação é que eles têm uma conexão perfeitamente natural com a natureza, que por algum motivo tende a ser cortada à medida que eles crescem. É difícil saber que este planeta está a ser irrevogavelmente alterado e danificado, e a natureza e a vida que existem nele estão ameaçadas. Para evitar este nocivo desenvolvimento, penso que são necessários meios muito mais radicais.”

"Cuban Studies"

Joakim Eskildsen é conhecido pelas suas monografias sociopolíticas, como The Roma Journeys e American Realities, nas quais são retratadas comunidades marginalizadas. Apesar do uso de tons aparentemente melancólicos, Eskildsen atinge uma intimidade e proximidade avassaladoras no seu trabalho, o que frequentemente acontece dada a convivência lado a lado com os participantes dos seus trabalhos por longos períodos de tempo. A série Cuban Studies é o resultado de várias viagens que Joakim Eskildsen empreendeu nesse país durante um período de grande transição, logo após as reformas económicas. “Foi uma época de optimismo e incertezas, e grandes esperanças para o futuro. Desde o primeiro dia que o país me intrigou, desde o seu povo à sua complexa história de colonialismo e comunismo, cuja presença visual foi uma constante. Quanto mais aprendia sobre Cuba, mais difícil se tornava de entender. Foi como aprender a ver o mundo de um ângulo diferente, e era tão distinto do que eu conhecia que decidi manter a mente aberta e assumir a posição de ouvinte.”

Para saber mais

Organização:
MNAC/DGPC
Local:
Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Lisboa