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Exposições Até 30 de dezembro

A Mão-de-Olhos-Azuis de Cândido Portinari | Exposição | Conferência - "A presença de Portinari em Portugal: afinidades e contributos", por Luísa Duarte Santos.

Está patente, até dia 30 de dezembro, no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, a exposição de Cândido Portinari - A Mão-de-Olhos-Azuis, com a curadoria de Maria de Aires Silveira e o apoio dos Amigos do Museu do Chiado.

Conferências no âmbito desta exposição:

9 de dezembro às 16h00 - A presença de Portinari em Portugal: afinidades e contributos, por Luísa Duarte Santos.

Da inicial divulgação da sua obra Café em periódicos afetos ao neorrealismo, à passagem do artista brasileiro por Lisboa a caminho da sua exposição na galeria Charpentier em Paris. Do encontro entre Portinari e Mário Dionísio numa redescoberta de afinidades pelos caminhos estético-artísticos de um novo realismo, centrado no humanismo e privilegiando tematicamente o povo, ao reconhecimento de uma expressão artística de alcance universal, a partir das raízes nacionais.

Luísa Duarte Santos é doutoranda (aguardando defesa da Tese) em História da Arte, especialidade História da Arte Contemporânea. Investigadora/membro colaborador no Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Teorias da Arte, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Investigadora e curadora em inúmeras exposições biobibliográficas e de artes plásticas. Durante vários anos foi Técnica Superior Conservadora de Museus, no Museu do Neorrealismo. Foi bolseira de doutoramento da FCT. Tem vários ensaios e artigos publicados em catálogos e revistas, sobre temáticas, autores e artistas do século XX português.

Entrada livre

"As obras apresentadas nesta exposição integravam um conjunto de oito painéis de temática musical que decoravam a Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, em 1942, da autoria de Cândido Portinari (Brodowsqui, S. Paulo, 1903 - Rio de Janeiro, 1962). Após o incêndio do seu auditório, em 1949, o MNAC e MNSR recebem a doação destas duas obras, em 1951, através da empresa Diários Associados, de Assis Chateaubriand, também proprietário da emissora.

Raramente expostas, estas peças de temática popular sugerem a fraternidade do universo ibero-americano, a diversidade étnica do povo brasileiro e a sua cultura musical. Chorinho é um género de música popular, um modo de tocar. Cavalo-marinho é uma representação festiva de narrativas declamadas. Ambos revelam uma construção geométrica de fundos, em composições próximas de uma planificação de volumes, recortados por sombras, linhas e planos. Numa redução cromática, entre azuis raros e castanhos, destacam referências picassianas.

Valorizado como o pintor “mais popular do Brasil” (Mário Dionísio, 1963) Portinari integra-se num modernismo original e clássico, num “nacionalismo estético” (Mário de Andrade) através de expressivas deformações da figura e de um “otimismo” baseado na afirmação heróica do trabalho. Destaca-se como pintor social e artista oficial. Pesquisa as raízes nacionais, constrói um imaginário mítico brasileiro mas afasta-se da ideologia do Estado Novo. Liga a pintura social à comunicação visual e sublinha a importância do gesto num realismo dramatizado, nestes casos, pela música e narrativa popular. Por isso, a mão e o seu olhar observador traçam um percurso original, expresso na poesia de Carlos Drummond de Andrade, A mão-de-olhos-azuis." (MAS).

Organização:
MNAC/DGPC; Amigos do Museu do Chiado
Local:
Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado