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Iniciativas 09/10/2018

Reunião em Lisboa do Grupo de Trabalho europeu - Transferência de competências no âmbito do Património Cultural

O Plano de Trabalho para a Cultura do Conselho Europeu (2015-2018), “Realçando o contributo substancial dos sectores culturais e criativos para o desenvolvimento económico, social e regional, a importância destes sectores para a Estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo (…);” destacam o “Património Cultural” como uma das “prioridades” para a ação neste período:

Prioridade B2: “Transferência de competências, formação e conhecimento; profissões tradicionais e emergentes relacionadas com o património.” A concretizar através do “Reforço das capacidades para os profissionais do património. Ênfase na transmissão de competências e conhecimentos tradicionais e nas profissões emergentes, nomeadamente no contexto da mudança digital.”

Em Portugal, o tema “Profissões do Património” tem vindo a ser tratado de uma forma pouco consistente e integrada. Há, naturalmente, preocupação do Estado central e de muitas Autarquias com a oferta formativa, de nível médio e superior, e em iniciativas muito diversas do Instituto de Emprego e Formação Profissional entre outras. Mas o tema encarado de forma global e abrangendo as profissões decorrentes de formação superior, de formação média, assim com as profissões tradicionais, ou artesanato, não tem constituído uma prioridade.

Ora, em face dos problemas diversos que afectam todas estas profissões - desde a sua definição no quadro legal vigente e identificação das competências inerentes, à formação inicial e ao longo da vida, aos contextos e dilemas da empregabilidade, à transmissão de saberes, às profissões e saberes-fazer em risco, chegando às ameaças que podem chegar por via da mobilidade ao nível europeu – este tema é verdadeiramente estratégico para a área do património cultural e, em termos mais globais, para a afirmação da identidade do País e para a sua diferenciação no contexto internacional.

Assim, importa trazê-lo para a primeira linha das políticas públicas, trabalhando a diferentes níveis para a defesa e promoção destas profissões, assim como das emergentes, agregando competências e saberes de diferentes tutelas, interessando as novas gerações pelas oportunidades de ensino e por uma via profissional exigente e com desafios complexos, mas que contribui para o conhecimento, salvaguarda e valorização dos eixos estruturantes da memória coletiva.

Neste âmbito, o grupo de trabalho europeu que está, desde o início de 2017, a desdobrar aquela prioridade, tem como meta a apresentação até final do corrente ano de um Relatório com recomendações para os Estados-Membros potenciarem e desenvolverem a transmissão de competências, a formação e o conhecimento no contexto das profissões relacionadas com o património cultural.

Procurando desdobrar as competências referidas, o Grupo de Trabalho – que integra cerca de 20 membros de Portugal, Espanha, França, Irlanda, Reino-Unido, Itália, Croácia, Áustria, Grécia, Bulgária, República Checa, Roménia, Lituânia e Suécia, constituído por académicos, responsáveis de instituições culturais, membros de associações profissionais, quadros da U.E - tem adotado diferentes metodologias, nomeadamente as reuniões plenárias de todos os membros, que decorreram ao longo do ano e meio de funcionamento, em Bruxelas, Lovaina, Bucareste e Mariestad. A última reunião, a realizar-se entre 10 e 13 de outubro, irá decorrer em Lisboa e deverá aprovar o relatório final, com as recomendações a apresentar a todos os estados membros.

Os trabalhos irão decorrer no Museu Nacional do Azulejo, estando previstas visitas de trabalho ao Museu Nacional de Etnologia, Museu Nacional dos Coches e Laboratório José de Figueiredo da DGPC e ainda uma visita de trabalho pós-reunião ao Ecomuseu Municipal do Seixal.