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Museus, Monumentos e Palácios 03/10/2017

Estudo sobre a acessibilidade nos imóveis afetos | Recolha de dados já disponível

O Departamento de Estudos, Projetos, Obras e Fiscalização (DEPOF) da Direção Geral do Património Cultural (DGPC) desenvolveu um estudo sobre as condições de acessibilidade das áreas visitáveis dos imóveis afetos (monumentos, palácios, museus e sítios arqueológicos). Esta análise teve como objetivo identificar os principais problemas, formular sugestões para os ultrapassar e definir prioridades de ação para apoiar a direção da DGPC na escolha de investimentos a fazer.

A ferramenta criada para recolha de dados está pronta e disponível para cumprir o seu desígnio: o uso generalizado pelos gestores dos monumentos, palácios, museus e sítios arqueológicos, para que todos os profissionais possam fazer a autoavaliação da acessibilidade dos imóveis em que trabalham, monitorizar o desempenho dos objetos estudados e estimular o interesse dos decisores no investimento na acessibilidade universal.

A matriz das grelhas de recolha de dados está agora disponível para uso público AQUI 

A equipa multidisciplinar que desenvolveu o estudo foi constituída por Fátima Peralta (design), João Herdade (arquitetura e museografia) e Clara Mineiro (comunicação acessível), com supervisão do diretor do DEPOF (João Seabra Gomes). 

O conceito de acessibilidade que adotámos contempla muitos outros aspetos para além do acesso físico. Como as boas práticas internacionais recomendam, abordámos a acessibilidade nas suas múltiplas facetas como um tema global, envolvente e transversal na vida das instituições, abrangendo todos os setores de atividade e todos os funcionários.

Nesta linha de pensamento, elaborámos uma lista de 10 temas com implicações na acessibilidade: 1. Edifício. 2. Localização e orientação. 3. Exposições. 4. Comunicação e divulgação. 5. Segurança. 6. Consultoria. 7. Formação. 8. Emprego e voluntariado. 9. Avaliação. 10. Política de gestão relativa à acessibilidade. Sobre cada um dos temas, estabelecemos um conjunto de critérios de avaliação. Alguns deles coincidem com o que está estipulado no Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto, mas muitos outros vão para além do que é referido neste diploma legal, que se restringe a questões de arquitetura. Isto quer dizer que a nossa avaliação traduz o grau de cumprimento da legislação portuguesa, mas também das boas práticas internacionalmente reconhecidas. Portanto, os critérios que definimos não são de cumprimento obrigatório, mas antes recomendações que correspondem a padrões internacionais de qualidade.

A metodologia de trabalho passou por várias etapas. Para começar, criámos grelhas para recolha dos dados em folhas de cálculo em Excel, concebidas de modo a que a informação pudesse ser tratada de modo qualitativo e também quantitativo. Algumas grelhas foram preenchidas por observação direta dos três membros da equipa de trabalho em visita aos locais, outras em entrevista aos diretores e mais dois membros da sua equipa. Na sequência de uma ponderação atribuída a cada um dos temas dentro do conjunto, foi possível obter uma avaliação numérica da acessibilidade de cada imóvel estudado em termos de percentagem de cumprimento dos critérios previamente estabelecidos.

As grelhas são aplicáveis ao universo dos imóveis afetos à DGPC, sejam eles monumentos, palácios, museus ou sítios arqueológicos, partindo do princípio que todos eles são espaços musealizados, com semelhanças que se sobrepõem às diferenças. A partir das grelhas preenchidas, foi feito para cada imóvel um relatório final circunstanciado, que inclui o diagnóstico dos problemas, dá sugestões, estabelece prioridades de intervenção e faz uma avaliação em termos de % de cumprimento das normas e boas práticas.

O estudo foi desenvolvido em 3 anos (2014, 2015 e 2016). As características atrás referidas dão a este trabalho um caráter inovador, cuja metodologia foi testada, aferida e validada na diversidade dos imóveis afetos.