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Museus, Monumentos e Palácios 11/06/2018

Doação de achado arqueológico ao Museu Monográfico de Conimbriga – Museu Nacional

Foi hoje oferecido ao Museu Monográfico de Conimbriga – Museu Nacional um fragmento de inscrição romana em bronze, encontrado em 2001 numa das grutas do Rio dos Mouros. O achador, o cidadão holandês Sr. Han Bochman, faleceu em 2012 e a família entregou agora a peça ao Museu através do Sr. Harm Hovens. Bem hajam!

A peça é um fragmento de uma inscrição votiva: a última linha conserva as letras A. L. V., que são parte de uma forma bem conhecida A(nimo) L(ibens) V(otum) S(olvit): De bom ânimo cumpriu o voto. A peça estaria originalmente aplicada a algum objeto, oferecido a uma divindade em cumprimento de uma promessa.

Que divindade seria essa? Serão as letras …RE… (tudo o que restou da primeira linha) parte do seu nome? E a localização original da peça: terá o fragmento escorrido para a gruta ao longo dos tempos? Ou terá a oferta (e o culto) decorrido nesse espaço subterrâneo? Esta e outras perguntas terão de ficar sem resposta, mas são o fermento da nossa continuada investigação.

Certo é que na penúltima linha da inscrição se identifica o nome de família do dedicante [HER]ENNIUS, gentilício de origem ilustre: Roma teve cônsules dessa família em 93 e em 34 a.C. e Herennia era o nome de família da mulher do Imperador Décio e mãe de Herénio Etrusco, que reinou fugazmente com o seu pai em 251 d.C.

O nome foi usado por famílias peninsulares, sobretudo no Sul (Barcelona, Tarragona, Valência, Córdova, Cádiz) mas não é certo tratar-se da mesma gens ou caso de adoção do nome de um patrono. Mas é certo que na antiga cidade de Oba (Jimena de la Frontera, Cádiz) os Herennii ocuparam o cargo de duúnviros (os principais magistrados de um município) por mais de uma geração. Conhecido também na Lusitânia (Faro, Beja) este apelido não estava ainda documentado em Conimbriga, e vem reforçar o nosso conhecimento das relações da cidade com o Mediterrâneo.