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Projetos 06/08/2018

Investigadora do Laboratório de Arqueociências da DGPC procura compreender as trajetórias evolutivas de populações de cães e lobos na Península Ibérica e Norte de África.

A origem e impacto da domesticação do cão é uma questão que tem gerado amplo debate no seio da arqueologia. Saber se o cão Ibérico deriva dos seus ancestrais do Médio Oriente, ou da Ásia. Descobrir se há domesticação local de lobo na Península Ibérica, ou se as populações selvagens se misturaram com animais domesticados importados de outros locais, são algumas das questões que o projecto WOOF procura responder.

Através da Arqueogenética, que realiza análises genómicas em amostras de ossos recuperados em sítios arqueológicos, os investigadores poderão distinguir e caracterizar a evolução e estrutura das primeiras populações de cães, e dos seus ancestrais lobos, desde o Paleolítico Superior até épocas mais recente.

Compreender as trajetórias evolutivas de populações de cães e lobos, é fundamental para conhecer os movimentos migratórios dos nossos antepassados, e o modo como interagiram com o meio ambiente.

Título do Projecto: Tracing the origins and evolutionary paths of the Iberian and the Maghreb Dog (WOOF)

Investigador responsável : Elizabete Pires

https://cibio.up.pt/projects-1/page/579

Instituições Participantes: CIBIO-InBIO; Laboratório de Arqueociências -Direcção Geral do Património Cultural; Faculdade de Ciências Universidade de Lisboa-Grupo Lobo; Faculdade de Letras Universidade de Lisboa-UNIARQ;

Equipa: Catarina Jorge Ginja (CoPI); Simon Jonathan Morton Davis; João Requicha; Cleia Detry; Silvia Valenzuela Lamas; Isabel Maria Amorim do Rosário; Fernanda Paula da Silva Simões de Matos; José António dos Santos Pereira de Matos; Francisco José Petrucci Guterres da Fonseca.

Financiamento: Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Duração: 2018 - 2020

Mais sobre o projecto: Este projecto foca-se no estudo zooarqueogenético de populações passadas de lobos e cães da Ibéria e Norte de África. Pretende-se testar as seguintes hipóteses:

1-  A domesticação e a introgressão com lobos selvagens locais foram importantes na formação das raças Ibéricas de cães. Propomos a hipótese de que ocorreram eventos de domesticação e de introgressão secundários entre as duas espécies na Ibéria.

2-      Dada a presença muito antiga de cães na Ibéria e evidências de navegação no Mediterrâneo no período Mesolítico é possível a ocorrência fluxo de cães associados às migrações humanos em direcção ao Norte de África (Magrebe). Uma influência Norte-Sul.

3-      No cão, algumas características hereditárias foram modificadas em diferentes períodos e por culturas distintas – a análise genética de dados heterocronológicos irá revelar variantes nos cães Ibéricos que poderão estar relacionadas com a dispersão de cães durante o Neolítico, com a criação de raças no período Romano e/ou com o cruzamento com cães africanos durante a época Medieval-Islâmica.

4-      Os ancestrais selvagens dos cães actuais que sobreviveram a última glaciação em regiões mais quentes (refúgios), tais como a Ibéria, deixaram uma assinatura na composição genética das populações do Norte e Centro da Europa, i.e., a diversidade retida na Ibéria influenciou as populações selvagens e domésticas de Canis lupus noutras regiões via eventos de re-colonização pós-glaciais. Propomos uma investigação multidisciplinar, utilizando métodos zoo-arqueológicos e moleculares para o estudo de populações de Canis lupus (lobo e cão) do Paleolítico Superior até ao período Medieval-Islâmico (30.000-800 anos). Esta abordagem permitirá capturar as dimensões temporal e geográfica da evolução e estrutura populacional de cães, no presente, no passado, e ao nível do seu ancestral selvagem - o lobo. Pretende-se aumentar o número de amostras em mais 114 de vários locais da Ibéria e de África do Norte cobrindo os últimos 30.000 anos. Os métodos zooarqueológicos incluirão: osteometria, análise de patologias, estratigrafia, contextualização arqueológica, datação por radiocarbono e análise de isótopos. A investigação molecular compreenderá análise de diversidade de sequências mitocondriais e de marcadores autossómicos. Este projecto garantirá a continuação de uma linha de investigação inovadora iniciada em Portugal. As metas a alcançar incluem: Estabelecer um banco de DNA antigo para espécimes de Canis Ibéricos e do Norte de África; Desenvolver novos marcadores mitocondriais para a análise específica de populações periféricas de cão e lobo; Gerar informação relevante sobre a origem, evolução e estrutura populacional de cães do passado e do seu ancestral - o lobo; Revelar evidências da introdução de linhagens de cães no Norte de África a partir da Ibéria e vice versa; Reconstrução de características fenotípicas de lobos e cães antigos; Expandir a base de dados genéticos e zoo-arqueológicos para Canis Ibérico.